sábado, 13 de agosto de 2011

VENENO NA COMIDA DO POVO.

Confira, no link, abaixo, a gravidade do que está acontecendo no Brasil: VENENO NA COMIDA DO POVO. Para quê? Para lucrar, lucrar e lucrar.

Cf. o vídeo no link, abaixo. E espalhe este vídeo que deve ser visto pelos 200 milhões de brasileiros.


http://www.youtube.com/watch?v=-ap9ecMwWU8&feature=channel_video_title


O vídeo mostra trechos do documentário de Silvio Tendler "O veneno está na mesa", lançado no Brasil no final de julho.

Trechos de uma fala da Senadora Kátia Abreu (DEM-TO), onde ela expõe alguns de seus 'argumentos' favoráveis ao uso de agrotóxicos.

Dom Luiz Carlos Eccel, ex-Bispo de Caçador/SC, descreve com muita precisão a postura da senadora: "A senadora Kátia Abreu mente descaradamente e pensa que somos todos idiotas. Ela é movida somente a dinheiro, "pobre" dela e de quem pensa como ela"

Além disso, este trecho apresenta reportagem sobre contaminação do leite materno pelo uso de veneno nas plantações e o depoimento da agrônoma e agricultura Ana Primavesi, pioneira da Agroecologia no Brasil, e de Fernando Ataliba.


Vale a pena conferir o video.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CNBB defende Reforma Política com participação popular

O presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno, ressaltou que falta “vontade política” dos parlamentares para que a Reforma Política avance no Congresso. Ele reafirmou o papel da Conferência dos Bispos, em conjunto com a sociedade civil, na mobilização da sociedade para discutir o tema. Em entrevista coletiva no dia de ontem (11/08) na sede da CNBB.

“Queremos acompanhar a Reforma Política, por isso criamos uma Comissão para ver de perto o que os parlamentares desejam”, disse. “O que percebemos é que [a atual proposta] não se trata tanto de uma reforma de Estado ou uma Reforma Política profunda, mas de uma Reforma Eleitoral bastante restrita, limitada” observou o cardeal.

Segundo dom Damasceno, o importante é que as organizações da sociedade civil comecem a se movimentar para exigir uma reforma política para o momento ou pelo menos uma reforma eleitoral “que venha modificar o sistema vigente e que consiga repercutir no comportamento das pessoas, contribuindo para uma melhor democracia e transparência da gestão pública e do processo eleitoral”.

O secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, disse que o papel da Comissão criada pela CNBB é o de propor o debate à sociedade. “A tarefa da Comissão que criamos ou mesmo da Igreja é propor um debate em torno da política. Isso significa que será um longo processo onde há a necessidade de mudar a mentalidade e a compreensão da política, só assim poderemos dar ao Brasil um modo de eleger os nossos representantes de forma mais digna”, sublinhou o secretário.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ÉTICA E TRANSPARÊNCIA (Nota da CNBB)


O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunido em Brasília, de 09 a 11 de agosto de 2011, refletiu sobre temas pastorais e suas implicações na vida do povo. Chamaram a atenção do Conselho as notícias veiculadas pela imprensa, nestes dias, sobre casos de denúncias de corrupção na administração pública, o que gera um clima de perplexidade, insegurança e indignação.

Os princípios éticos da verdade e da justiça exigem exemplar apuração dos fatos com a conseqüente punição dos culpados, porque não se pode transigir diante da malversação do emprego do dinheiro público. Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar, sobretudo, os pobres.

A atuação de instituições do Estado no atual contexto revela solidez. Os fatos em visibilidade, no entanto, reforçam a necessidade do aperfeiçoamento da democracia, o que só ocorrerá por meio de uma administração transparente e de uma profunda Reforma Política.

Nossa Senhora Aparecida seja intercessora junto ao seu Filho Jesus para que os brasileiros e brasileiras contribuam para a construção da justiça e da paz no País, na harmonia e na esperança.

“Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6).

Brasília, 11 de agosto de 2011

P – Nº 0783/11

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida - SP

Presidente da CNBB


Dom José Belisário da Silva

Arcebispo de São Luís do Maranhão-MA

Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Prelado de São Félix-MT

Secretário Geral da CNBB
 

Seminário realizado em Brasília abre oficialmente a 5ª Semana Social Brasileira

Após dois dias de discussões e debates, encerrou na tarde desta quinta-feira, 11, no Centro Cultural de Brasília (CCB) o Seminário Nacional de Preparação da 5ª Semana Social Brasileira (SSB), encontro que reuniu cerca de 110 pessoas, de Pastorais e movimentos sociais de todas as regiões do país.

A partir do tema proposto para a 5ª Semana, “A participação da sociedade no processo de democratização do Estado – Estado para quê e para quem”, evento que foi aberto oficialmente com o Seminário Nacional e se estende até o primeiro semestre de 2013, as discussões contemplaram a conjuntura brasileira no que tange a democracia e participação social no processo de construção de uma nação mais igual.

As temáticas colocadas em debate foram importantes para gerar discussões e amarrar as bases teóricas e práticas da 5ª SSB, segundo o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Guilherme Werlang.

“O tema nos proporcionou discussões que justificam a realização da 5ª Semana Social Brasileira. Veio reafirmar que estamos diante de um momento propício no quadro social brasileiro em que vivemos para discutirmos a situação política do país”, disse dom Guilherme que ressaltou a urgência e necessidades apresentadas pelos participantes nos dois dias de Seminário.

“Percebemos nas falas e participações que as pessoas sentem a necessidade e urgência de discutir um Brasil igual para todos. Elas mostram anseio de participação no processo político deste país, fato que vem colaborar com a repercussão do evento junto à sociedade”.

Iniciadas em 1991, as SSB já fazem parte da agenda de discussões sociais do Brasil. Reunindo religiões, pastorais e movimentos sociais e de mulheres, o evento motivado pelo Pontifício Conselho para a Caridade, Justiça e Paz da Santa Sé e promovido em vários países no mundo em diferentes dinâmicas, será realizado mais uma vez com o objetivo de se lançar sobre as bases da sociedade brasileira, para fazer pensar e sugerir mudanças em um processo de trabalho que pretende, em longo prazo, educar para os direitos da sociedade democrática.

SSB pela construção de um novo EstadoLéa Costa, secretária das Pastorais Sociais no Regional Norte 2 da CNBB (Pará), explicou como se dá esse processo de realização da SSB na sua região. “É uma construção coletiva discutida em nível nacional e internacional que, a partir do diálogo, das relações interpessoais, chega às comunidades e se desenvolve num processo que educa e motiva para as mudanças”, sublinhou.

De acordo com Léa, por ser realizado dentro de um processo longo (quase dois anos), as SSB têm potencial de provocar a participação da sociedade nos processos políticos, além de resgatar temáticas antigas, como é o caso da participação democrática. “Por ser construído em conjunto com a participação de diferentes vertentes da sociedade, é um modelo viável que chega às bases a partir de discussões, fazendo com que a sociedade tenha elementos para pensar e construir um novo Estado a partir das reivindicações da própria base”.

Concorda com Léa o secretário executivo do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome da CNBB, padre Nelito Dornelas, nomeado articulador da 5ª Semana por dom Guilherme. “A partir das práticas libertárias que estamos construindo há anos com as SSB, não esperamos uma nova sociedade para o futuro, como que num passe de mágica, mas já estamos construindo ela hoje, colocando em primeiro lugar a defesa e a inclusão das pessoas”, justificou.

De acordo com padre Nelito, a 5ª Semana se realiza com uma posição bem definida, sob a ótica dos pequenos deste país. “Colocamos-nos ao lado dos excluídos, dos marginalizados para repensarmos uma nova sociedade, um novo Estado, tendo em vista toda a sua estrutura de transportes, educação, saúde, lazer, para que não venhamos a ter que voltar atrás depois”.

O membro da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Ari Albeti, vê como diferencial das Semanas Sociais Brasileiras o processo por que passa a sua organização antes, a participação durante e as definições e ações depois. Para ele, esse caminho e a continuação dos ideais das SSB passadas, criam bases para as propostas apresentadas no evento a cada ano. “As Semanas Sociais têm nos ensinado muito com essa ideia de processo porque facilita a participação das pessoas e incentiva para discutir o Estado que a gente quer: aquele que cumpre sua função social”.

Segundo Alberti, as funções do Estado ultrapassam aquelas garantidas hoje no Brasil. “O nosso povo ainda é tratado com benesses, com políticas assistenciais que são importantes, mas não suficientes. A nossa luta é para que as pessoas não só recebam, mas que façam parte do processo e possam se sentar à mesa num país de igualdade. Essa é a pressão que vai fazer a 5ª Semana Social Brasileira”, concluiu.
 
Fonte: CNBB

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

EUCALIPTO NÃO! QUEREMOS TERRA E PÃO.


"Eucalipto não! Queremos  terra e pão"

Esta foi a palavra de ordem das centenas de trabalhadores presentes à Audiência Pública realizada na manhã desta terça feira, 09 de agosto de 2011 no ginásio de Esportes de Itapetinga. A audiência faz parte do processo de licenciamento para o projeto de expansão da base florestal com eucalipto e da fábrica da Veracel Celulose S/A na região Sul e Sudoeste da Bahia. A Veracel, que hoje ocupa 119.000 hectares de terra nos municípios de Eunápolis, Canavieiras, Belmonte, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália com florestas de eucalipto produzindo atualmente 1.200.000 toneladas de celulose por ano, pretende ampliar sua capacidade de produção para 2.700.000 toneladas/ano. A proposta da empresa é expandir as plantações para os municípios de Encruzilhada, Itapetinga, Itarantim, Macarani, Maiquinique, Potiraguá e Santa Luzia, necessitando para isso, adquirir mais 107.000 hectares de terras.

A audiência Pública foi conduzida pela equipe técnica do INEMA e previa contemplar os municípios diretamente impactados na região de Itapetinga.  O que deveria ser um momento para se discutir os impactos diretos e indiretos do empreendimento e as medidas de compensação e mitigação destes foi muito mais um espaço de propaganda da Empresa que utilizou quase a totalidade do tempo que dispunha para a exposição tentando vender a imagem de empresa ecológica e socialmente responsável e do projeto como uma grande redenção para a região, por se tratar de um empreendimento altamente viável do ponto de vistas econômico e ambiental.

Após a apresentação da Veracel e a explanação do Rima pelas empresas Cosmos Engenharia e Planejamento Ltda. e CEPEMAR Meio Ambiente, foram abertas as inscrições para manifestação da população ali representada por estudantes universitários, Movimentos Sociais (MST, CETA, MPA), entidades (CPT, CEAS) e sociedade civil em geral. Foram cerca de duas horas de intervenções onde as pessoas que usaram a palavra se posicionaram unanimemente contrárias à expansão do monocultivo de eucalipto na região. Dentre os argumentos para sustentar o posicionamento foram citadas as inúmeras falhas no relatório de Impacto ambiental, que omite e/ou subdimensiona os impactos sócio ambientais, como por exemplo: contaminação com resíduos de agrotóxicos (herbicidas e inseticidas) da Bacia do Rio Pardo e seus principais afluentes, (Rios Verruga, Maiquinique, Manjerona, Catolé, Córrego do Nado e Água Preta); redução da produção de alimentos, sobretudo mandioca, carne e leite (52 % da produção pela Agricultura Familiar); e suas repercussões no aumento dos custos da cesta básica e na inflação, considerando a substituição das culturas tradicionais pela monocultura de eucalipto; desequilíbrio do balanço hídrico, contaminação do solo, dos lençóis d'agua e dos trabalhadores por agrotóxicos utilizados pela empresa, a exemplo do glifosato e sulfuramida;

Outras manifestações foram mais enfáticas no sentido de solicitar a suspensão do processo de licenciamento por questões sérias que descaracterizaria a legalidade do processo. O advogado Marcelo Nogueira, Professor da UESB, alegou, dentre outras questões, a falta de habilitação profissional dos técnicos da CEPEMAR para elaboração de laudo EIA-RIMA; a não realização da 2ª oficina preparatória nem complementação do diagnóstico para atender a solicitação de esclarecimentos de cidadãos das áreas afetadas quanto a lacunas e contradições do EIA RIMA; a não convocação de uma audiência pública por Município, em conformidade com pedidos de instalação formalizados pelas populações afetadas, aglutinando audiências em apenas 4 municípios, dificultando a participação da população afetada oriunda dos demais municípios; a manifestação pública do Governador Jaques Wagner favorável à concessão do licenciamento por antecipação, incorrendo em crime de responsabilidade por improbidade administrativa face à prática de advocacia administrativa e infringência aos princípios que regem a administração pública (legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e razoabilidade) além do fato de a empresa responsável pela elaboração do EIA - RIMA pertencer ao grupo Suzano Papel, empresa do setor de celulose, portanto, interessada diretamente no licenciamento o que incorre no risco da parcialidade nos estudos.

Dentre o grande numero de participantes, destaca-se a presença massiva de jovens. A participação efetiva e as importantes intervenções de entidades e movimentos é sinal da grande preocupação com o futuro da região que historicamente teve vocação para a produção de alimentos e hoje se vê ameaçada pela expansão da monocultura.

“Não queremos eucalipto. Queremos terra para poder plantar alimentos e abastecer a mesa do povo da cidade, inclusive dos donos destas empresas. Não comemos madeira de eucalipto! Não somos cupins!!”  – desabafou Sr. Domigos, trabalhador rural acampado no município de Macarani.

Ficou evidente na audiência que o processo de expansão da Veracel, caso venha a ocorrer, causará danos irreversíveis e as medidas compensatórias apontadas pela empresa são ineficazes e insuficientes para a reparação destes.

Na opinião de Joaci Cunha, membro do CEAS – Centro de estudos e Ação Social, a partir da reação popular contrária evidenciada na audiência em Itapetinga e considerando que o Estado deverá respeitar a opinião da população ao invés de ceder aos interesses das empresas do setor da celulose, o processo de licenciamento da Veracel poderá ser suspenso, ou no mínimo o licenciamento será negado.

As audiências prosseguirão de amanhã, 10/08 até dia 12/08 nos municípios de Canavieiras, Porto Seguro e Eunápolis.


Diacisio Ribeiro Leite
Agente da Comissão Pastoral da Terra – Equipe Sul Sudoeste/BA