domingo, 11 de março de 2012

O TOURO E O MOSQUITO

Autor: Esopo



Um Mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: "Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor é só dizer, e eu irei imediatamente embora!"

Ao que lhe respondeu o Touro: "Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre."

Com frequência, diante de nossos olhos, julgamos-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros.



Moral da História:

Quanto menor a mente, maior a presunção.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Jornada de Lutas das Mulheres Trabalhadoras do Campo e da Cidade

Fonte: Adital

(MST, MMC, MAB, MPA, FEAB, CPT, PJR , MTD E LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE)

Somos mulheres trabalhadoras do campo e da cidade e, mais uma vez por ocasião do Dia Internacional da Mulher, para nós um dia de luta e resistência contra as opressões e a exploração, temos motivos para seguir organizadas em Movimentos Populares.

Neste ano, seguimos afirmando nossas bandeiras de luta: pelo trabalho; pelo direito a produzir e a consumir alimentos saudáveis; contra a violência cometida contra mulheres; por medidas a favor de amenizar os efeitos da estiagem no RS, por mais cotas raciais e sociais nas universidades, acesso à cultura e lazer, hoje tão mercantilizados. Enfim, reforçamos que a nossa luta continua sendo contra o capital que segue explorando e expropriando as pessoas de maneira cada vez pior, e contra o patriarcado, que mantém as mulheres oprimidas e violentadas em seus direitos e dignidade enquanto seres humanos.

Unimos-nos enquanto mulheres empobrecidas do campo e da cidade, e, enquanto jovens, pois nos sentimos constantemente disputadas pelo projeto capitalista seja no campo, nas periferias, nas escolas, universidades ou no trabalho, porque nossa situação de sobrevivência com dignidade e respeito é diminuída a cada dia, apesar de algumas conquistas importantes do ponto de vista legal nos últimos períodos. Contudo, se conquistamos alguns direitos é porque saímos às ruas e praças, fizemos acampamentos e ocupamos lugares que diziam não ser para as "mulheres de bem”.

Como mulheres de luta, sem nos importar como nos julgam, destacamos que o TRABALHO deve ser em vista da humanização das pessoas, por isso, não aceitamos mais a desconsideração e a invisibilidade daquilo que dizem ser nossas tarefas, se, sequer são reconhecidas como trabalho. Sabemos que as tarefas mais penosas e repetitivas são destinadas ao sexo feminino, como se fosse uma condição pelo fato de termos nascido mulheres.

No campo, denunciamos a falta de investimentos e tecnologias voltadas à agricultura camponesa agroecológica, ao passo que, governos despejam milhões em investimentos para o agronegócio, causador da destruição e envenenamento da natureza. Na cidade, sentimos a precarização do trabalho, a retirada de direitos e o não acesso a emprego por parte de milhares de pessoas. O salário que os oferecem é vergonhoso e a exploração de nossa mão de obra, cada vez mais intensiva.

Entendemos que temos o direito de produzir e de consumir alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, sendo este o causador de tantas doenças e mortes das pessoas e do ambiente. Para produzir precisamos de terra, em primeiro lugar, e, por isto, a Reforma Agrária nunca sairá da pauta até não ser concretizada de forma ampla e com condições de as pessoas permanecerem na terra. A seca tem nos castigado mais uma vez e, diante disso, precisamos de infraestrutura que garanta a viabilidade para voltarmos a produzir. Não podemos esquecer que mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil vem da agricultura camponesa, ainda que tão esquecida frente ao volume de recursos que recebe o agronegócio exportador.

O "esquecimento” da agricultura camponesa tem sido uma violência contra os camponeses e camponesas historicamente no Brasil e, no campo de produção de alimentos, inclusive, saudáveis, encontram-se as mulheres com seus trabalhos. Continuamos sobrecarregadas, trabalhando mais horas/dia que os homens segundo apontam muitas pesquisas, mas continuamos sendo restringidas de acesso a poder de decisão na grande maioria dos espaços, seja familiares ou institucionais.

A violência que nos oculta e nos nega poder, como se fôssemos mesmo seres inferiores, embora "proibida a discriminação por sexo”, é parte da violência simbólica estruturada pelo patriarcado, que não deixa de ser, também de ordem física, patrimonial e sexual. Lembremos que as mulheres negras e índias são as que mais sofrem violência e discriminação de todas as espécies pelo fato de o capitalismo ser também racista.

Somos contra as mudanças no atual Código Florestal, cujas propostas de alteração permitem maior destruição de reservas legais e áreas de preservação permanente. Por isso exigimos o Veto da presidenta Dilma.

Como pode-se perceber, temos inúmeros motivos para prosseguirmos em luta, organizadas enquanto trabalhadoras do campo e da cidade.

PROPOMOS: que a violência contra as mulheres, de forma especial, seja tratada com medidas eficazes com vistas a diminuição, coibição e extinção. Para isto precisa-se da implementação do PACTO/RS contra a violência, que viabiliza estrutura desde as casas abrigos, os centros de referência da mulher e as delegacias especiais da mulher em todos os municípios do Estado.

Como pode-se perceber, temos inúmeros motivos para prosseguirmos em luta, organizadas enquanto trabalhadoras do campo e da cidade.

Sem feminismo, não há socialismo”

08 de março é um DIA DE LUTA, pois entendemos que ainda temos poucos motivos para comemorar e muito o que avançar

(*) Vía Campesina - Movimento internacional de camponeses e camponesas, pequenos e médios produtores, mulheres rurais, indígenas, gente sem terra, jovens rurais e trabalhadores agrícolas

terça-feira, 6 de março de 2012

Itabuna - O paraíso do aedes aegypti

Em nota publicada neste dia 05/03, o jornal: "A Região" informa que a dengue em Itabuna subiu 940%.  

"A situação da dengue em Itabuna é mais grave do que se imaginava. Acessando o banco de dados da Secretaria Estadual de Saúde na sexta-feira, constatamos a notificação de 406 casos da doença.

Com esse cenário, o aumento ficou em 612,28% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas os dados corrigidos pela Secretaria de Saúde de Itabuna, também na sexta, mostram situação pior ainda.

O próprio município informou que, entre primeiro de janeiro e o dia dois deste mês, foram registrados 593 casos de dengue em Itabuna. No mesmo período do ano passado foram 57 casos.

O aumento, então, foi de 940% e neste ano o São Caetano é o bairro com maior número de casos, com mais de 60 ocorrências. Em seguida aparecem Santo Antônio e Fátima.

Itabuna é o município baiano que registrou, proporcionalmente, o maior número de novos casos de dengue nos dois primeiros meses do ano.

Depois de deixar atingir um nível preocupante, o prefeito José Nilton Azevedo assinou o decreto 9.656 declarando situação de emergência em todo o município por 90 dias, prorrogável por igual período".

Vendo a nota do jornal, não poderia deixar de me lembrar de uma fábula publicada aqui neste blog em janeiro deste ano, intitulada: "Itabuna o paraíso - como assim?". Reveja a história clicando no link abaixo.

domingo, 4 de março de 2012

OS VIAJANTES E A ÁRVORE

Autor: Esopo



Dois viajantes, exaustos, depois caminharem sob o escaldante sol do meio dia, decidiram descansar à sombra de uma frondosa árvore.


Após deitarem-se debaixo daquela refrescante e oportuna sombra, um dos viajantes, ao reconhecer que tipo de árvore era aquela, disse para o outro:

"Como é inútil esse Plátano![1] Não produz nenhum fruto, e apenas serve para sujar o chão com suas folhas."

"Criaturas ingratas!", disse uma voz vindo da árvore. "Vocês estão aqui sob minha refrescante e acolhedora sombra, e ainda dizem que sou inútil e improdutiva?"


Moral da História:


Alguns homens menosprezam os melhores benefícios que recebem apenas porque nada tiveram que pagar por estes.
 
Nota[1]: Espécie de árvore ornamental de grande porte.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

AS DUAS CABRAS

Esopo

Duas Cabras brincavam alegremente sobre as pedras, na parte mais elevada de um vale montanhoso. Ocorre que se encontravam separadas, uma da outra, por um abismo, em cujo fundo corria um caudaloso rio que descia das montanhas.

O tronco de uma árvore caída era o único e estreito meio de cruzar de um lado ao outro do despenhadeiro, e nem mesmo dois pequenos esquilos eram capazes de cruzá-lo ao mesmo tempo, com segurança.

Aquele estreito e precário caminho era capaz de amedrontar mesmo o mais bravo dos pretendentes à travessia, Exceto aquelas Cabras.

Mas, o orgulho de cada uma delas, não permitiria que uma permanecesse diante da outra, sem que isso não representasse uma afronta aos seus domínios, mesmo estando separadas pela funda garganta.

Então resolveram, ao mesmo tempo, atravessarem o estreito caminho, para brigarem entre si, com o propósito de decidir qual delas deveria permanecer naquele local. E no meio da travessia as duas se encontraram, e começaram a se agredir mutuamente com seus poderosos chifres.

Desse modo, firmes na decisão de levar adiante o forte desejo pessoal de dominação, nenhuma das duas mostrava disposição em ceder caminho à adversária. Assim, pouco tempo depois, acabaram por cair na profunda grota, e logo foram arrastadas pela forte correnteza do rio.



Moral da História:

É melhor abrir mão do orgulho do que chamar para si a desgraça através da vaidade e teimosia.