terça-feira, 29 de novembro de 2011

Tempo do Advento: Realidade e miragem

O tempo do Advento teve seu inicio no último ao domingo (27/11/2011), neste tempo de preparação para a vinda do Senhor, deve ser para tod@s nós um momento propicio de reflexão e mudanças radicais em nossas vidas. Nesta situação de estarmos vivenciando uma "mudança de época" onde valores, princípios e conceitos são negociados, questionados, é preciso estar atentos e "vigilantes" para não sermos enganados pelas falsas e mirabolantes promessas de desenvolvimento e progresso, de felicidade fácil ou de uma total inversão de valores. Aqui na região sul da Bahia a falsa solução do Porto Sul, no País a insistência insana do Governo Dilma na mega - construção da  Hidrelétrica Belo Monte - no Xingu, e nas artimanhas para aprovação do novo Código Florestal, ou na tentativa de desviar o foco da problemática das mudanças climáticas no País com as falsas soluções dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), ou Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).

Neste tempo propício para reflexão trazemos o artigo de Dom Demétrio Valentini, publicado no site ADITAL, para reforçar a nossa postura enquanto pessoas verdadeiramente comprometidas com a cidadania.


Realidade e miragem
Dom Demétrio Valentini -Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Adital

Com este domingo, iniciamos um novo tempo litúrgico, que vai nos levar à celebração do Natal. Na verdade, para a liturgia, começa um novo ano, ao longo do qual celebramos os diferentes enfoques do mistério de Cristo.

Na passagem de um ano para o outro, aparece com insistência o enfoque relativo ao fim dos tempos, culminando com a aparição gloriosa do Senhor julgando as nações de toda a terra.

Como as cenas se referem a um tempo meta-histórico, para se referir a elas se usa um gênero literário próprio, denominado "escatológico”, pois trata dos "últimos tempos”, como sugere a palavra grega "éscaton”.

Aí reside o desafio. Mesmo usando uma linguagem com evidente carga de fantasia, resulta uma descrição muito semelhante aos fatos reais, que a história pode comprovar. Então, precisamos discernir o que tem consistência histórica, e o que é "escatológico”, usado intencionalmente para se referir a fatos que não cabem dentro do contexto da realidade humana.

Um exemplo bem claro encontramos nos evangelhos, quando trazem as profecias de Cristo sobre o fim do mundo. Usam a destruição histórica de Jerusalém, acontecida no ano 70 de nossa era, para com ela descrever, de maneira aproximada, a destruição final do mundo.

Assim, um fato histórico, a destruição de Jerusalém por Tito, serve de moldura para imaginar o fim do mundo. O que devemos fazer? Separar os fatos das fantasias.

Quando o evangelho relata o cerco de Jerusalém, se refere a fatos da história: "Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que sua destruição está próxima. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para as montanhas, os que estiverem na cidade, afastem-se dela” (Lucas, 21, 20...). Esta parte tem clara conotação histórica, e aconteceu de fato, quando o exército romano devastou complemente a cidade de Jerusalém.

Mas logo em seguida, o evangelho envereda para o gênero literário escatológico, ao advertir que "haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas...” (Lc 21, 25...). Aí já é fantasia. Por mais que imaginemos o bonito espetáculo da ciranda das estrelas dançando com o sol e a lua como prelúdio do fim do mundo, sabemos que é uma linguagem figurada, aliás, muito solene e bonita, mas que remete para uma realidade que não conseguimos expressar adequadamente por palavras humanas.

Talvez ajude uma comparação. Quando olhamos para uma cadeia de montanhas, as primeiras à nossa frente podem ser bem dimensionadas em seu tamanho real. As que estão no fundo, podem até parecer menores, mas se sobressaem às primeiras, é porque são maiores do que elas.

Para falar de um assunto maior, usamos realidades menores.

Como o assunto é tão recorrente nestes dias, até o fim do mundo nos ajuda a situar melhor as questões relativas ao Código Florestal. Há algumas "montanhas” à nossa frente, isto é, algumas constatações evidentes, que precisamos dimensionar bem, para termos uma ideia mais aproximada do tamanho da questão. Por exemplo: as terras usadas para agricultura, no Brasil, representam só 38% do território nacional. Portanto, 62% do território nacional nem é atingido pela agricultura! E mais: dos 38% das terras agricultáveis, só 27% são usadas pelos pequenos agricultores, que representam 88% dos estabelecimentos rurais. 12% das propriedades, neste país de histórica concentração fundiária, ocupam 73% das terras agricultáveis.

Os que insistem em achar que provocamos o fim do mundo se o Código Florestal garante aos pequenos agricultores uma proteção especial, para viabilizar sua importante função de proteger o meio ambiente e de produzir alimentos, não está se dando conta da finalidade do Código Florestal, e demonstra não distinguir a realidade da fantasia.

A sobrevivência dos pequenos agricultores não é um risco para o meio ambiente, mas uma garantia de que a natureza será bem cuidada, e a terra será fecunda para a vida de todos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ato em defesa das florestas

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, #florestafazadiferenca, promoverá amanhã (29/11), o "Ato em defesa das florestas”, em Brasília, para entregar os abaixo-assinados decorrentes contra algumas alterações aprovadas no Código Florestal, no dia 24 de maio.

Com as alterações no Código Florestal, será permitido o uso das áreas de preservação permante, faixas de terras ocupadas ou não nas margens de nascentes, córregos, rios, dentre outros, já ocupadas com atividades agrossilvipastoris, ecoturismo e turismo rural.

Para participar do "Ato em defesa das florestas”, envie as assinaturas coletadas para: Caixa Postal 6137, CEP 70740-971, Brasília – DF. Para maiores informações, acesse o site: http://www.florestafazadiferenca.org.br/




Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática

Começa hoje em Durban, África do Sul, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Na semana passada estive participando de um seminário em Brasília/DF onde tivemos a oportunidade de discutir varias questões ligadas a problemática das mudanças climáticas, e é impressionante como o governo brasileiro vem tratado a questão, tentado desviar a discussão do verdadeiro foco da questão e transformando as vitimas em réus: querendo culpar os pequenos agricultores, quilombolas, ribeirinhos, povos indígenas pela situação hoje existente no País. As grandes industrias, o agronegócio, as madeireiras, as obras do PAC nem seque são citadas.

O objetivo principal do seminário realizado em Brasília, foi o de socializar as informações com diversas organização e pensar em estratégias que venham interferir nos rumos da atual postura do Governo Brasileiro e exigir uma postura responsável na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Durban, África do Sul.

Em comunicado, as organizações pedem aos países desenvolvidos que "honrem suas responsabilidades históricas e seus compromissos legais”. "Os governos dos países ricos industrializados têm tratado de reverter os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática e de desmontar os acordos existentes. Essa tentativa, que começou com o chamado Acordo de Copenhague, se aprofundou com os resultados de Cancún e poderia atingir o seu clímax em Durban”, alertam.

Como saídas para a crise climática, o documento propõe que os governos "impeçam uma mudança climática catastrófica e assegurem uma distribuição justa e equitativa da drástica redução de emissões”.

Nesse mesmo sentido, as organizações exigem o fim das "falsas soluções”, como mecanismos de compensação, comércio de carbono, programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), bem como mecanismos de mercado relativos às florestas, ao solo e à água, à geoengenharia em grande escala, à energia nuclear, às mega-represas e aos agrocombustíveis.

O documento explica ainda que as estruturas econômicas e sociais que causam a crise climática advêm de práticas promovidas pelos países industrializados, contudo, as consequências serão sentidas principalmente pela população mais pobre.

Diante disso, demandam a criação, pelos Estados ricos, de um fundo de financiamento para reparar danos causados pela mudança climática em países pobres. "O financiamento climático não deve adotar a forma de instrumentos de gerar dívidas e deveria canalizar-se por meio de um fundo mundial democrático e responsável que seja independente de outras instituições financeiras internacionais e que sustente os princípios de um acesso direto e definido pelos países, com decisões participativas acerca do uso dos fundos”, detalham.

Por fim, as entidades demarcam a importância de tomar medidas em nível global nos sistemas e métodos de produção e consumo. "Transformar estruturas sociais e econômicas e tecnologias, e reorientar políticas para se separar dos sistemas guiados pelos lucros, orientados ao crescimento, com alto consumo de carbono, dominados por elites e baseados na exploração, e ao invés assegurar uma transição justa até um desenvolvimento pós-carbono pensado para as pessoas, que seja equitativo, democrático e sustentável”, apontam

domingo, 27 de novembro de 2011

Gota D'água x Belo Monte


Natasha Pitts - Jornalista da Adital


Em vídeo, atores e atrizes alertam para a necessidade de parar a hidrelétrica Belo Monte
Mostrar que a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no leito do rio Xingu, no Pará, é uma loucura, foi o objetivo do Movimento Gota D’água ao criar um vídeo de conscientização que está rodando as redes sociais. O vídeo, estrelado por 19 atores e atrizes – bastante conhecidos entre o público brasileiro – é uma conversa, uma explicação clara sobre o que é Belo Monte e sobre os problemas que a construção do mega-empreendimento poderá causar.

No site do Movimento Gota D’água (http://www.movimentogotadagua.com.br/) é possível assistir à produção de cinco minutos e assinar uma petição que pede à presidenta Dilma Rousseff e ao presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia empenho para evitar um desastre ambiental de proporções gigantescas.

A petição, disponível em http://movimentogotadagua.com.br/assinatura, pede que seja dada atenção aos argumentos dos povos do Xingu e às explicações dos técnicos e ambientalistas envolvidos na busca de soluções efetivas para um desenvolvimento sustentável. Pede ainda o fim "dos discursos ambientalistas de palanque” e, em especial, a interrupção imediata das obras de Belo Monte.

Até o momento, 1.080.943 pessoas já assinaram. Além de fazer sua parte firmando a petição, os protagonistas do vídeo pedem que ele seja passado para dez amigos. Após conseguir ultrapassar um milhão de assinaturas o próximo passo é entregar o documento à presidenta Dilma.

Em entrevista à Adital, Luciana Azambuja esclareceu como surgiu a iniciativa. "O Movimento Gota D’ Água surgiu da necessidade de transformar indignação em ação, mostrar que o bem é um bom negócio e envolver a sociedade brasileira na discussão de grandes causas que impactam o nosso país. O vídeo "É a gota d'água+10”, dirigido por Marcos Prado e com a participação espontânea de 20 atores, surgiu quando Sergio Marone assistiu o vídeo do Leonardo DiCaprio – Vote+5- convocando os americanos a tirar o registro para ter o direito de votar”.

Apesar de almejar atingir grande parcela da população brasileira, Luciana disse que não imaginavam que a repercussão seria tão intensa. A campanha já atingiu mais de quatro milhões de internautas e continua sendo twitada e curtida nas redes sociais. "Apostávamos que a campanha fosse comover, mas não imaginamos que haveria esse impacto, com tanta velocidade e desta forma tão vertiginosa. A repercussão é consequência desta comoção e só nos enaltece. Vamos em frente”, assegura Luciana.

Além do vídeo e da petição, o Movimento está organizando ações como o debate realizado ontem (24), ao vivo, pelo site, com a presença de especialistas na área de gestão de energia. O foco foi a discussão da ausência de políticas energéticas consistentes no Brasil e a fala (http://www.youtube.com/watch?v=n2Qug_MB4TQ) da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e do Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, que rebateram o vídeo do Movimento assegurando que os povos indígenas serão retirados de suas terras e que o Parque Nacional do Xingu não será alagado.


Gota D’Água

O Movimento Gota D’Água, idealizado pela atriz e apresentadora Maria Paula, quer chamar a atenção da população para as causas ambientais por meio das ferramentas e dos novos meios de comunicação, como as redes sociais. A partir da escolha do tema ‘planejamento energético’, Belo Monte, a obra mais polêmica do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) foi eleita para empreender o debate. O Movimento Gota D’Água conta com o apoio do Movimento Xingu Vivo para Sempre e da ONG Humanos Direitos. "O Movimento apoia soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas pelo bem comum”.

Fonte: Adital

A VIDA EXIGE MUITO MAIS COMPREENSÃO DO QUE CONHECIMENTO.

ASNO

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

- Quantos rins nós temos?

- Quatro! Responde o aluno.

- Quatro? Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.

- Tragam um feixe de capim, pois temos um asno na sala. Ordena o professor a seu auxiliar.

- E para mim um cafezinho! Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.


O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itararé'. Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:


- O senhor me perguntou quantos rins 'NÓS TEMOS'. 'NÓS' temos quatro: dois meus e dois seus. 'NÓS' é uma expressão usada para o plural.Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.


Moral da História:

A VIDA EXIGE MUITO MAIS COMPREENSÃO DO QUE CONHECIMENTO.


Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou acreditarem que o tem, se acham no direito de subestimar os outros...

E haja capim!!!